Cheguei a ser daquelas pessoas que chorava por tudo e por nada. Chorava por tristeza e sofrimento, por alegria e felicidade, mas sobretudo chorava porque era capaz de sentir todos os sentimentos concentrados à minha volta. Não chorava apenas por mim, mas pelo mundo cruel existente à minha volta.
Actualmente não choro. Não sou capaz de chorar, sentindo assim mais intensamente os golpes da vida, sem os poder aliviar. Porém, passei da menina mais sentimentalista e sensivel para uma mulher insensivel e egoista. Deixei de pôr os outros à frente, agora sou apenas eu.
As únicas pessoas ainda presentes no meu frio e cruel coração são apenas eles os dois: ela como os seus olhos grandes castanhos e a sua docura tapada pela amargura que sente pela vida e ele com a sua personalidade escondida que me fascina e me dá forças para continuar a lutar.
A ela devo-lhe tudo, apesar de saber que também ela sofre bastante, devo-lhe todas as experiencias que provei e todos os conhecimentos que adquiri. A ele, bem, ele nunca fez nada por mim, porém eu amo-o e isso significa tudo para mim. O meu coração outrora vivo, sensivel e cheio de sentimentos, agora frio, cruel e apático ainda é capaz de amar alguém, e no fundo, é por isso que luto diáriamente para conquistá-lo.
Tornei-me no que sou hoje, porque quando a vida é dura conosco desde cedo, aprendemos a defender-nos cedo, como eu fiz. Estava farta de sofrer em vão, criei então o meu mundo paralelo onde vivo sem qualquer chatice, onde não sinto nada e onde consigo sentir felicidade não condicionada.
Não choro porque me tornei numa mulher forte, porém estou distinada a sofrer no puro silêncio da minha mente, sem fonte de escape. A vida amarga-nos quando somos demasiado doces, e até agora eu achava que isso não era verdade.
Um único momento, porém, em que consigo sentir algo, é quando sei que ele sofre, sofre bastante em silêncio...e dói muito, porque não sou capaz de me chegar perto para o ajudar.
Apesar de tudo, não quero que ninguém siga os meus passos, porque na tentiva de sofrer menos às mãos dos outros, acabei magoando-me a mim própria.
Sou assim. Já tentei voltar a ser como era? Não! Daqui em diante não sofrerei por quem não me deu o devido valor.
Sou assim. Já tentei voltar a ser como era? Não! Daqui em diante não sofrerei por quem não me deu o devido valor.
Sou como a menina da praia....LIVRE!


